
A nossa proposta técnica visa estabelecer de forma pragmática um Regulamento da Prática Profissional dos Especialistas Forenses (RPPFS), definindo os requisitos gerais para o seu reconhecimento, os quais devem incluir experiência, formação e/ou processos pedagógicos adequados para cada um dos cinco níveis de certificação. Uma entidade académica/científica designada em cada país deve atribuir e validar os níveis abaixo mencionados, podendo delegar a certificação em áreas forenses específicas a outras entidades. Para todos os efeitos, os cinco níveis de um especialista forense são:
- Especialista Forense Nível 1 – Profissional qualificado em áreas científicas das Ciências Forenses, certificado por experiência ou por formação pós-graduada contínua numa instituição acreditada, de acordo com o ponto I do artigo supracitado. Cada área específica estabelecerá as suas próprias diretrizes relativamente ao número mínimo de horas de formação e/ou ao período mínimo de experiência profissional forense. Deve notar-se que, mesmo dentro de uma área forense específica, subníveis de especialização e hierarquia podem exigir formação específica, conforme recentemente sugerido.
- Especialista Forense Nível 2 – Profissional qualificado com licenciatura em Ciências Forenses ou em áreas de especialidade forense específicas, de acordo com o ponto II do artigo supracitado.
- Especialista Forense Nível 3 – Profissional qualificado com grau de mestre em Ciências Forenses ou em áreas de especialidade forense específicas, de acordo com o ponto III do artigo supracitado e as recomendações gerais para um Especialista Forense Nível 2 (admitindo-se licenciatura de âmbito alargado).
- Especialista Forense Nível 4 – Profissional qualificado com grau de doutoramento em Ciências Forenses ou em áreas de especialidade forense específicas, de acordo com o ponto IV e as recomendações gerais para um Especialista Forense Nível 2 (admitindo-se licenciatura de âmbito alargado).
- Especialista Forense Nível 5 – Profissional qualificado com habilitação em Ciências Forenses, de acordo com o ponto V e as recomendações gerais para um Especialista Forense Nível 4.
Cada área científica estabelecerá diretrizes específicas que complementarão os requisitos gerais. A candidatura à certificação em cada especialidade exigirá o cumprimento dos requisitos gerais de base acima especificados.
Acidentologia rodoviária
- Dominar os conceitos teóricos e práticos da dinâmica veicular, incluindo a cinemática e a dinâmica dos veículos em movimento, de forma a compreender os fatores que influenciam o comportamento dos veículos antes, durante e após a colisão.
- Compreender os princípios de análise de danos e deformações veiculares, incluindo a relação entre a energia dissipada e os danos visíveis, permitindo a interpretação adequada dos danos nos veículos para determinar a severidade do impacto e as suas causas.
- Conhecer e aplicar as metodologias de reconstituição de acidentes, utilizando software de simulação especializado para modelar o cenário do acidente, incluindo a trajetória dos veículos, velocidades, distâncias de travagem e pontos de colisão. Além disso, é essencial apresentar cálculos e fórmulas científicas, tais como as leis da física aplicadas à geometria e à dinâmica do acidente, para garantir uma fundamentação técnica e rigorosa da análise.
- Reconhecer e interpretar vestígios físicos no local do acidente, como marcas de travagem, sinais de deslizamento e fragmentos dos veículos, para associar essas evidências à dinâmica da colisão e reconstruir o evento com base em dados concretos.
- Explicar as implicações das normas de trânsito e da legislação rodoviária no contexto da investigação, avaliando a conformidade das ações dos condutores com as regras em vigor e a influência dessas normas na evitabilidade do acidente.
Antropologia forense
- Conhecimentos em osteologia humana para identificação dos ossos, da sua estrutura e variações anatómicas.
- Identificação de alterações ósseas associadas a patologia ou resultantes de fraturas, relevantes para o processo de identificação.
- Estimativa do perfil biológico (i.e., sexo, idade-à-morte, estatura e ancestralidade) a partir de achados esqueléticos.
- Identificação de lesões antemortem, perimortem e postmortem, bem como a sua natureza (traumatismos perfurantes, contundentes, cortantes, corto-contundentes ou provocados por explosões) de forma a auxiliar na determinação da circunstância e causa-de-morte.
- Compreensão do efeito dos processos tafonómicos e culturais na decomposição e preservação de restos humanos.
Arqueologia forense
- Conhecimento de métodos para a localização de restos mortais (e.g., cartografia, radar de penetração nos solos (GPR), drones e cães de busca).
- Compreensão estratigráfica do terreno e da cronologia de objetos e evidências como restos humanos.
- Conhecimento dos protocolos para a exumação de cadáveres em diferentes cenários.
- Recuperação, transporte, conservação e registo de restos mortais humanos.
- Preservação da informação contextual e da cadeia de custódia.
Balística forense
- Conhecimento técnico para identificar as diferentes tipologias e sistemas mecânicos de armamento ligeiro.
- Capacidade para corretamente identificar os métodos de fabrico de armas de fogo ligeiras.
- Conhecimento dos fundamentos físicos e químicos para a realização de exames de Balística Forense.
- Capacitação para a identificação dos diferentes tipos de munições assim como as suas características técnicas.
- Domínio técnico da segurança com armas de fogo, independentemente do seu fabrico e do seu estado.
Biomecânica forense
- Capacidade de análise cinemática e dinâmica, analisando as diversas formas de movimento das diversas partes do corpo (cabeça, tronco e membros), compreensão das forças e reações que atuam no mesmo, e interpretação de como tais forças contribuem para lesões em vários cenários.
- Capacidade de análise matemática e estatística de dados recolhidos, podendo assim aplicar modelos matemáticos e métodos estatísticos para análise de dados e desenvolvimento de modelos preditivos fenomenológicos (modelos constitutivos) relacionados com a biomecânica.
- Simulação e modelação computacional, incluindo a experiência com software para modelação 3D (como, por exemplo, o método dos elementos finitos), bem como tecnologia de captura de movimento para recriar cenários de acidentes e avaliar mecanismos de lesão (por exemplo, método multi-corpo).
- Conhecimento de biomecânica de lesões, incluindo uma compreensão detalhada da resposta mecânica dos tecidos moldes e duros, limiares de lesão e mecanismos de lesão para avaliar como forças específicas podem levar a tipos específicos de lesões.
- Possuir familiaridade com as várias técnicas usadas na ciência forense, incluindo reconstrução de cenários, métodos de coleta de dados e análise de evidências relevantes para a biomecânica.
Botânica e palinologia forenses
- Conhecimento sobre a diversidade vegetal e nomenclatura científica.
- Capacidade de identificação das estruturas anatómicas e morfológicas vegetais.
- Conhecimento sobre a fisiologia vegetal, ecologia e biodistribuição.
- Capacidade crítica e analítica para reconhecer as amostras de origem vegetal como fator importante na investigação e avaliação forense e criminal.
- Reconhecer, identificar e realizar diferentes tipos de análise (anatómicas, morfológicas e químicas) em amostras de origem vegetal.
Criminologia
- Conhecer o sistema jurídico português.
- Conhecer as teorias etiológico-explicativas do crime, os métodos e instrumentos de medição do crime.
- Reconhecer as dimensões do objeto da criminologia: o ato criminal, os seus intervenientes e a reação ao delito.
- Reconhecer as principais técnicas de investigação em criminologia: medidas da criminalidade, inquéritos de vitimação, delinquência e segurança.
- Dominar estratégias de política criminal.
Documentoscopia
- Conhecer e identificar documentos autênticos, fantasistas, contrafeitos e/ou falsificados, compreendendo as várias técnicas de adulteração documental (e.g., rasuras, obliterações, acréscimos, substituições).
- Conhecer os diversos fatores involuntários e voluntários que podem afetar a escrita manual, e compreender as alterações na escrita que podem resultar desses fatores.
- Dominar a utilização de diversos equipamentos e técnicas de análise documental (e.g., equipamento vídeo-espectral, equipamento de deteção eletrostática, microscópio estereoscópico, lupas, técnicas de espectroscopia e cromatografia).
- Possuir capacidade de analisar, comparar e identificar diferentes tipos de tintas, sistemas de impressão e suportes documentais, realizando datações relativas sempre que necessário e possível.
- Compreender a diversidade e especificidade dos elementos de segurança que podem estar presentes em documentos genuínos, para compará-los com os elementos eventualmente constantes no documento questionado.
- Compreender o ato de escrita manual do ponto de vista biológico, incluindo todas as especificidades que contribuem para a variabilidade natural da escrita e para a mesma ser individualizada e individualizadora, aplicando o método comparativo em exames de veracidade e/ou autoria da escrita.
- Ser capaz de explicar as técnicas e métodos de análise documental e os resultados obtidos de forma científica, mas clara, simples, concisa e precisa, quer na redação do relatório pericial, quer na prestação de esclarecimentos em tribunal.
Entomologia forense
- Dominar os aspetos teóricos e práticos da taxonomia dos principais grupos de insetos indicadores forenses, assim como conhecer a ecologia das espécies interveniente nos processos de decomposição cadavérica.
- Reconhecer a sucessão ecológica da fauna sarcosaprófaga.
- Saber efetuar a colheita, preservação e acondicionamento de insetos em contextos forenses, assim como recolher, selecionar e interpretar a informação relevante necessária para a análise entomológica.
- Conhecer e aplicar os métodos para a estimativa do intervalo postmortem.
- Conhecer os alcances e limites da Entomologia Forense e saber interpretar um relatório pericial nesta área do conhecimento.
Exame da cena do crime
- Capacidade para organizar e planear a abordagem da cena de morte de forma eficiente. Tal inclui a avaliação inicial das condições, estabelecimento de prioridades e alocação de tarefas para garantir que a cena seja preservada e examinada adequadamente.
- Conhecer os procedimentos para a colheita de vestígios e amostras, como sangue, fibras, impressões digitais, e outros vestígios físicos, assegurando que os métodos de colheita e conservação garantam a validade futura das provas.
- Promover a cooperação e comunicação eficaz com outros investigadores e membros da equipa. O perito precisa de trabalhar em harmonia com outros especialistas, compartilhando informações críticas de maneira clara e objetiva.
- Conhecer os procedimentos necessários para que a cena da morte seja devidamente isolada e utilizar equipamento de proteção individual (EPI), tanto para proteger os vestígios como para a própria segurança dos investigadores.
- Documentar todas as ações e observações feitas na cena, incluindo a localização de vestígios, posição do corpo e estado dos objetos no local. Essa documentação será fundamental para o relatório final e para a análise jurídica posterior.
Física forense
- Dominar o processo de medição de grandezas físicas, incluindo a quantificação das incertezas associadas e a sua propagação em sede de análise de dados.
- Compreender as leis físicas associadas à descrição e origem do movimento (cinemática e dinâmica) e saber aplicá-las em situações concretas (incluindo estática e colisões), após medir/determinar todas as grandezas físicas relevantes, desenvolvendo modelos quantitativos que as descrevam de modo adequado e tão completo quanto possível, incluindo evolução temporal.
- Compreender as leis físicas associadas à estática de fluídos e os princípios fundamentais da dinâmica de fluídos. Saber aplicar estes conhecimentos a situações concretas, incluindo interações macroscópicas entre sólidos e fluídos. Saber medir/determinar grandezas físicas relevantes, desenvolvendo modelos quantitativos que as descrevam de modo adequado e tão completo quanto possível.
- Compreender as leis da termodinâmica e saber aplicá-las a situações concretas de fogos e explosões, medindo/determinando grandezas físicas relevantes, e desenvolvendo modelos quantitativos que as descrevam de modo adequado e tão completo quanto possível.
- Compreender a natureza dos diferentes tipos de radiação (ionizante e não ionizante), os processos de emissão de radiação (incluindo a radioatividade) e de interação com a matéria, bem como as leis físicas que regem essas interações, sobretudo numa perspetiva macroscópica, e saber aplicá-las em situações concretas. Saber medir grandezas físicas relevantes, de modo a caracterizar as radiações e a matéria que lhes dá origem ou que com elas interagem.
Fogos e explosivos
- Compreender os fenómenos de combustão, deflagração e explosão.
- Identificar os fenómenos de ignição, iniciação e decomposição térmica.
- Conhecimento da classificação e divisão de explosivos e a sua nomenclatura.
- Aptidão para a realização dos exames laboratoriais para análise de vestígios de fogos, acelerantes e explosivos.
- Conhecimento do sistema legal nacional e europeu relativo ao armazenamento, comércio e transporte de substâncias pirotécnicas e explosivas.
Fotografia forense
- Conhecer as origens da fotografia – breve resenha histórica e a evolução da máquina fotográfica.
- Conhecer os princípios básicos de fotografia (abertura do diafragma, tempo de exposição e ISO fotográfico).
- Conhecer os acessórios da máquina fotográfica (e.g., filtros e flash).
- Capacidades para dominar os aspetos da fotografia relacionados com a exatidão, nitidez, focagem, resolução e exposição.
- Capacidades para aplicar a técnica fotográfica na investigação da cena do crime.
- Conhecer os standards e guidelines – Scientific Working Group for Imaging Technologies (SWGIT).
Genética e biologia forense
- Capacidade de análise de perfis genéticos e identificação humana (comparação de perfis genéticos – STR e SNP – para a identificação de vítimas ou pessoas desaparecidas e testes de parentesco).
- Conhecimentos de práticas laboratoriais avançadas e validação de protocolos analíticos (extração de ácidos nucleicos de amostras difíceis, PCR em tempo real, eletroforese capilar e sequenciação de próxima geração – NGS).
- Conhecimentos genéticos para a investigação de bioterrorismo e agentes biológicos (identificação de agentes patogénicos, deteção de modificações genéticas, rastreamento da origem de estirpes suspeitas, e diferenciação entre fontes naturais e artificiais de contaminação).
- Domínio de protocolos de biossegurança e manuseamento de agentes de risco biológico (manipulação correta de agentes microbiológicos e toxinas, descontaminação, e utilização de procedimentos seguros para armazenamento e transporte de vestígios).
- Capacidade de rastreamento e interpretação de vestígios microbiológicos e botânicos (origem, vias de disseminação e modificações genéticas).
Geologia forense
- Possuir um conhecimento profundo dos diferentes materiais geológicos frequentemente associados a investigações forenses (e.g., fragmentos de rocha, solos, sedimentos e minerais), relativamente aos seus processos de formação, à sua distribuição geográfica, e à sua caracterização e identificação.
- Dominar as diferentes estratégias de amostragem de solos e sedimentos a aplicar no local sob investigação, em locais envolventes ao mesmo, em locais alibi, entre outros, documentando, recolhendo, armazenando e preservando as amostras, de forma a garantir a sua integridade e a manutenção da cadeia de custódia.
- Conhecer e saber utilizar as diferentes técnicas e metodologias analíticas das matrizes geológicas que permitem avaliar as suas propriedades inorgânicas, orgânicas e biológicas.
- Ter a capacidade de tratar, comparar, avaliar e interpretar os resultados obtidos na análise das matrizes geológicas sob estudo, de forma a fornecer informação fundamentada em factos científicos.
- Ser capaz de explicar as provas geológicas de forma científica, mas clara, simples, concisa e precisa, quer na redação do relatório pericial, quer na prestação de esclarecimentos em tribunal.
Informática forense
- Conhecimentos científicos e técnicos avançados no campo de sistemas operativos, redes, criptografia, dispositivos de armazenamento e técnicas de recuperação de dados.
- Capacidade de implementar e gerir procedimentos padrão nacionais/internacionais aplicados à análise forense, assegurando conformidade ética e legal.
- Conhecer, desenvolver e aplicar ferramentas forenses especializadas adequadas a cada tarefa.
- Capacidade de interpretar grandes volumes de dados e de criar relatórios adequados aos diversos intervenientes, facilitando a comunicação e a tomada de decisões.
- Resolver casos forenses relacionados com o cibercrime.
Investigação científica forense
- Capacidades de definir um problema e operacionalizar questões em investigação.
- Conhecer o “estado da arte” sobre o tema a investigar.
- Detetar dilemas éticos implícitos a um projeto de investigação e lidar com os mesmos em conformidade com as regulamentações nacionais e internacionais, com a eventual audiência prévia da comissão de ética.
- Aplicar um raciocínio metodológico com correta interpretação das limitações operacionais e epistemológicas.
- Dominar a estrutura de um texto científico.
Linguística forense
- Identificar e comparar estilos de escrita para determinar a autoria de textos anónimos ou contestados. Isso inclui o uso de características linguísticas, como escolha de palavras, estrutura sintática, frequências de certas expressões e idiossincrasias individuais que podem sugerir ou excluir possíveis suspeitos.
- Capacidades para avaliar o conteúdo de depoimentos, entrevistas e testemunhos, procurando entender o significado implícito e a intenção comunicativa.
- Comparar documentos para identificar plágio, o uso não autorizado de material linguístico, seja em escritos académicos, publicitários ou em outros contextos. A perícia identifica padrões de cópia, similaridade sintática e lexical para comprovar ou refutar casos de plágio.
- Analisar traduções em contextos multilíngues, para se verificar a precisão e imparcialidade de traduções e interpretações, essenciais em contextos judiciais.
- Analisar gravações de áudio e identificar características da voz que possam auxiliar na identificação do falante, como sotaque, entonação, frequência e características articulatórias.
- Aplicar métodos linguísticos para avaliar a veracidade de declarações orais e escritas, identificando elementos linguísticos que possam indicar inconsistências, falta de espontaneidade ou possível fabricação de informações. Técnicas incluem a análise de pausas, hesitações, mudanças de pronome e coerência narrativa.
Lofoscopia forense
- Conhecer e saber identificar os padrões físicos das cristas epidérmicas presentes nos dedos, palmas das mãos e plantas dos pés dos seres humanos.
- Conhecer e saber avaliar e identificar os diferentes tipos de pontos característicos existentes no padrão físico das cristas epidérmicas dos dedos, palmas das mãos e plantas dos pés.
- Dominar as técnicas de recolha de impressões epidérmicas, e ser capaz de avaliar as diferentes superfícies onde estas possam estar apostas, selecionando e aplicando as melhores técnicas de revelação e levantamento de impressões digitais, palmares e/ou plantares.
- Compreender as exigências legais para atribuir uma identificação humana positiva, e ser capaz de realizar o estudo comparativo dos padrões físicos e pontos característicos das impressões digitais, palmares e/ou plantares sob análise, idealmente dominando o uso de softwares auxiliares.
- Explicar as provas lofoscópicas de forma científica, mas clara, simples, concisa e precisa, quer na redação do relatório pericial, quer na prestação de esclarecimentos em tribunal, para que as mesmas sejam compreendidas e tidas em consideração no veredicto final.
Microbiologia forense
- Dominar os aspetos teóricos e práticos da microbiologia, sendo capaz de identificar e caracterizar os microrganismos que possam estar envolvidos em cenários de crime.
- Reconhecer e aplicar as metodologias de microbiologia clássica e de referência (e.g., tipagem bacteriana) que permitam a análise de DNA microbiano em diferentes amostras e contextos.
- Conhecer os procedimentos de manutenção da integridade das amostras biológicas durante a colheita, transporte, armazenamento e análise, garantindo que não haja contaminação.
- Interpretar resultados laboratoriais e analisar dados biológicos, estabelecendo possíveis relações entre amostras microbiológicas e eventos forenses, como tempo e causa de morte, infeções suspeitas, abuso sexual, contaminação intencional, entre outros.
- Identificar os fatores que afetam o crescimento microbiano, demonstrando conhecimento sobre a transmissão, prevenção, controlo e tratamento das doenças infeciosas. Paralelamente, conhecer mecanismos de ação dos agentes antimicrobianos e mecanismos de resistência bacteriana.
Medicina forense
- Entender a biomecânica e os mecanismos de produção de lesões, bem como descrevê-las e interpretá-las com precisão. Isso inclui a análise de lesões em casos de trauma e acidentes no âmbito da avaliação do dano pessoal.
- Competências para conduzir perícias médicas em casos de trauma, violência doméstica, maus-tratos, crimes sexuais e danos pessoais pós-traumáticos. Isso requer conhecimento clínico e forense para avaliar e documentar corretamente as lesões, além de aplicar os protocolos legais adequados.
- Reconhecer a necessidade de pareceres especializados e orientar as perícias em conformidade para consulta de especialidade.
- Capacidade para solicitar e interpretar exames complementares, como exames de imagem, exames laboratoriais e outros testes diagnósticos para corroborar as suas conclusões em exames clínicos forenses.
- Conhecimentos práticos e técnicos para resolver casos concretos em exames clínicos forenses. Isso inclui a aplicação dos conhecimentos teóricos na prática, a elaboração de relatórios forenses detalhados e a capacidade de comunicar as suas conclusões de forma clara e fundamentada em contexto legal e médico.
Tanatologia forense
- Entender os mecanismos de produção de lesões, bem como descrevê-las e interpretá-las com precisão. Isso inclui a análise de lesões em casos de homicídio, suicídio ou acidente, contribuindo para a determinação da etiologia médico-legal e causa da morte.
- Dominar as técnicas de realização de autópsias forenses, desde o exame externo do cadáver e vestuário até o exame interno, de modo a identificar causas da morte e colher vestígios necessários para investigação. Este processo inclui a cronatognose e o diagnóstico diferencial entre causas de morte como acidente, suicídio, homicídio ou causas naturais.
- Capacidade para solicitar e interpretar exames complementares, como exames de imagem, exames laboratoriais (e.g., histopatologia) e outros testes diagnósticos para corroborar as suas conclusões em autópsias forenses.
- Reconhecer a necessidade de pareceres especializados e orientar as perícias em conformidade para consulta de especialidade.
- Conhecimentos práticos e técnicos para resolver casos concretos em sede de autópsias. Isso inclui a aplicação dos conhecimentos teóricos na prática, a elaboração de relatórios forenses detalhados e a capacidade de comunicar as suas conclusões de forma clara e fundamentada em contexto legal e médico.
Medicina dentária forense
- Compreender a anatomia dentária bem como o crescimento e desenvolvimento dos dentes, e ser capaz de identificar características únicas em arcadas dentárias que possam ser usadas para identificar indivíduos.
- Analisar e comparar registos dentários (radiografias, moldes e fichas clínicas) com os dentes ou arcadas dentárias de um indivíduo ou cadáver para fins de identificação ou elucidação de crimes.
- Identificar e interpretar traumatismos/lesões na região orofacial, e documentar essas lesões adequadamente para serem usadas em processos judiciais.
- Analisar e interpretar exames complementares, como radiografias, tomografias e fotografias forenses, além de técnicas mais avançadas como análise de DNA em tecidos orais para auxiliar na identificação e investigação forense.
- Estar familiarizado com as fases de desenvolvimento dentário e com as alterações associadas à senescência da arcada dentária para estimar a idade.
Medicina veterinária forense
- Compreender conceitos básicos de medicina veterinária que permitam reconhecer, reportar e explicar lesões associadas a casos forenses envolvendo animais com base em conhecimentos científicos.
- Compreender os princípios de técnicas forenses aplicados à medicina veterinária, nomeadamente a identificação dos animais, avaliação do bem-estar e do grau e/ou duração da dor, colheita de amostras e/ou de evidências, documentação das lesões e resultados clínicos, garantia de cadeia de custódia, e integração dos dados sob a forma de relatório.
- Acompanhar casos suspeitos, garantido a identificação, triagem clínica, acompanhamento clínico e/ou necropsia, colheita e processamento de amostras ou vestígios, integrando equipas multidisciplinares que poderão envolver as autoridades.
- Dominar conceitos que permitam considerar fatores internos e externos na expressão clínica, traduzir a probabilidade da origem das lesões comparativamente a outros diagnósticos diferenciais e compreender vantagens e limitações de meios de diagnóstico ou de outras metodologias analíticas.
- Ser capaz de contextualizar os conhecimentos da medicina veterinária forense no quadro legal em vigor, bem como aos princípios éticos e deontológicos que regem a profissão da medicina veterinária.
Psicologia forense
- Conduzir avaliações psicológicas com recurso a técnicas e ferramentas validadas na área da saúde mental, fatores de risco ou outros.
- Conduzir entrevistas para colheita de informação de diferentes fontes de forma adequada e baseada na evidência científica para compreensão de dinâmicas psicológicas e/ou comportamentais, com supervisão de pares frequente.
- Prestar informação e esclarecimentos especializados e testemunho em tribunal para explicar conceitos psicológicos complexos.
- Desenvolvimento de planos de acompanhamento de ofensores, apoio psicológico a vítimas e recomendações em sede de programas de reabilitação.
- Contribuir para a investigação científica no desenvolvimento de boas práticas em contexto forense, tendo por base um nível de especialização elevado, conduta ética e capacidade de interagir com o sistema legal.
Química forense
- Dominar os aspetos teóricos (química orgânica e inorgânica) e práticos da química, e sua aplicação para a análise de amostras forenses (drogas ilícitas, fibras, tintas, embalagens ou resíduos de explosivos, entre outros).
- Compreender a composição, estrutura e propriedades físico-químicas da matéria em diferentes estados físicos (sólido, líquido e gasoso), como essas características podem ser influenciadas pelos sistemas biológicos e como podem influenciar a análise de evidências forenses.
- Conhecer e aplicar os procedimentos adequados para a recolha, preservação e manuseamento de amostras para química forense, assegurando a integridade da cadeia de custódia e evitando a contaminação ou destruição das evidências.
- Dominar uma ampla gama de metodologias analíticas para caracterização da estrutura molecular e quantificação de substâncias químicas presentes em diferentes tipos de amostras forenses.
- Explicar os princípios das técnicas utilizadas em química forense e interpretar os resultados obtidos, comunicando-os de forma clara e acessível, tanto para profissionais da área como para inexperientes, utilizando linguagem compreensível e analogias simples.
Serviço social forense
- Dominar conceitos e práticas do serviço social e enquadrá-los no sistema jurídico.
- Identificar a existência de diferentes impactos do crime e da violência do ponto de vista do dano social, com enfoque nas lesões e sequelas psicossociais que podem resultar na vítima criança/adolescente, jovem e adulto/sénior.
- Compreender os pressupostos subjacentes à avaliação de risco psicossocial de pessoas vítimas de violência doméstica, e do risco de recidiva de sujeitos envolvidos em processos penais e/ou cíveis e tutelares educativos.
- Dominar a técnica de visita domiciliária (contexto privado ou institucional) e os protocolos da entrevista forense.
- Esclarecer as dinâmicas familiares, nomeadamente no âmbito do exercício de responsabilidades parentais em situações de conflito/violência.
Toxicologia forense
- Dominar os aspetos teóricos e práticos da toxicologia, bem como os princípios básicos da epidemiologia e vigilância das intoxicações.
- Compreender a disposição dos xenobióticos nos sistemas biológicos, incluindo absorção, distribuição, metabolismo e excreção (ADME), e como a toxicocinética contribui para a toxicidade da substância.
- Conhecer e identificar os fatores que afetam a ADME e consequentemente as respostas farmacológicas ou toxicológicas, com particular enfoque na toxicogenética, toxicogenómica e especificidades das espécies.
- Reconhecer as metodologias analíticas de rastreio (i.e., “screening”) e de confirmação utilizados nas análises toxicológicas.
- Explicar as razões da vulnerabilidade dos diferentes órgãos e sistemas fisiológicos aos efeitos tóxicos dos xenobióticos.
