Antropologia Forense

O que é a Antropologia Forense?
Tradicionalmente, a Antropologia Forense ocupa-se de vários aspetos da investigação médico-legal relacionada com a morte, nomeadamente quando o cadáver do individuo se encontra em avançado estado de decomposição ou esqueletizados. Nestes casos, o antropólogo forense aplica conhecimentos e princípios teóricos e práticos desenvolvidos e utilizados pela antropologia biologia e pela arqueologia para responder a questões relacionadas com a identidade, como seja o sexo ou a idade, assim como com as circunstâncias da morte, através da análise e estudo detalhado dos restos ósseos e dentários do individuo e do contexto físico em que ele foi encontrado. Mais recentemente, na Europa e noutras partes do mundo, a aplicação de conhecimentos e princípios de antropologia biológica tem-se estendido a áreas da medicina-legal que envolvem indivíduos vivos. Nomeadamente a estimativa da idade em indivíduos sobre os quais recai a suspeita de menoridade, em casos de investigação da imputabilidade criminal ou de atribuição de asilo politico.
(Autor Prof. Doutor Hugo Filipe Violante Cardoso)

A Antropologia Forense consiste na aplicação dos conhecimentos da antropologia física numa investigação de caráter forense, ou seja, numa investigação legal, tentando estabelecer um perfil biológico, auxiliar na determinação da causa de morte e estimativa do intervalo post mortem. Criada por Thomas Dwight nos finais do século XIX, nos EUA, com o intuito de auxiliar investigações legais, a antropologia forense é agora parte integrante do conceito ciências forenses, sendo uma das principais intervenientes nas investigações de crimes de guerra e desastres de massa tentando determinar o perfil biológico de restos esqueletizados com vista à identificação dos mesmos. Em Portugal, devido às suas características criminais, a antropologia forense não assume um papel fundamental na maior parte das investigações criminais, no entanto, na presença de restos esqueléticos é, juntamente com a odontologia e a genética forense, a única ciência capaz de fornecer informações essências à investigação de um crime. Para além da utilização em cadáveres a antropologia forense pode ainda ser utilizada para determinar a estatura de indivíduos presentes em gravações de câmaras de videovigilância e na previsão das alterações sofridas fruto do envelhecimento de indivíduos desaparecidos.
(Autor Dr. André Vicente Pires Alves)

Nota Biográfica do Coordenador
Hugo Filipe Violante Cardoso é, desde 2013, Professor Auxiliar no Departamento de Arqueologia da Simon Fraser University, no Canadá, e Co-Director do Centro de Ciências Forenses da mesma Universidade. Licenciado em Biologia pela Universidade de Lisboa, completou o mestrado na Universidade de Coimbra e depois doutoramento em Antropologia pela McMaster University, no Canadá. Tem vários anos de experiencia arqueológica de campo e laboratorial com material ósseo humano de vários contextos, e formação em áreas diversas das ciências forenses. Foi docente do Departamento de Medicina Legal e Ciências Forenses da Universidade do Porto entre 2007 e 2013, onde leccionou antropologia, odontologia e patologia forense. Durante o mesmo período de tempo, foi consultor da Delegação do Norte do Instituto Nacional de Medicina Legal, onde foi responsável pelos casos de antropologia forense desta Delegação. Desempenhou ainda, em simultâneo com as funções docentes e periciais no Porto, entre 2008 e 2011, funções de curador e investigador no Museu Nacional de História Natural e da Ciência em Lisboa. No Canadá, tem-se dedicado ao ensino e investigação na área da bioarqueologia e antropologia forense, tendo prestado consultadoria para o Coroner Service da província de British Columbia e de Yukon Territories, e para a Royal Canadian Mounted Police na província de British Colombia.

         

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